sexta-feira, 10 de novembro de 2023
sexta-feira, 22 de novembro de 2019
domingo, 7 de setembro de 2014
RECORDANDO…
A IDA À VILA
(1)
Reconheço,
que a ideia que norteou a criação desta página pessoal, ou seja o descrever das
minhas memórias, acabou por sofrer uma interrupção, não propositada, mas de que
a azáfama do dia a dia aliada ao excesso de trabalho de que não consigo
desligar-me, foram os principais motivos
que a tal conduziram.
É que,
pensava eu, uma vez aposentado, iria ter todo o tempo livre, para pôr em
prática vários projetos, entre os quais descrever as minhas memórias, para um
dia, os meus entes queridos e amigos, delas tivessem conhecimento. e rebuscassem
aqui, algo que lhes interessasse.
Só que, as
coisas não correram tal como eu desejava. A ligação que já detinha
profissionalmente à causa da ação social, continuou até aos dias de hoje, agora
de forma voluntária, cada vez com mais
intensidade.
O tempo, que
com o avançar da idade , parece fugir-nos debaixo dos pés, naturalmente
continua a ser muito pouco, para o tanto tanto, que há ainda por fazer. E,
procurar na memória que já começa a atraiçoar-me, factos dos tempos idos, não é
tarefa fácil.
E, se hoje
estou a tentar rebuscar mais algumas recordações da minha vida, isso deve-se ao
facto tão simples que consiste apenas nisto; ao ver e ouvir um programa
televisivo, a RTP Memória, vieram-me ao de cima algumas recordações que
contribuíram para que eu voltasse às minhas próprias memórias.
E voltando
aos meus tempos de criança, sempre ligado ao “monte” dos Almargens, veio-me à
ideia o que se passava quando minha mãe anunciava : “amanhã vamos à Vila”.
E a ida de
minha mãe à Vila (Alvalade) prendia-se com a necessidade de renovação, de géneros alimentares e outros necessários ao
dia a dia duma herdade afastada uma légua dos meios de comercialização e de
produção. Havia a necessidade de ir à mercearia, que era ao mesmo tempo a loja
de artefactos necessários à confecção do vestuário, bem como armazém de outros produtos necessários a quem tinha a sua vida diária, em pleno campo.
segunda-feira, 17 de março de 2014
terça-feira, 27 de agosto de 2013
NOS 70 ANOS DA CASA do POVO de ALVALADE - 1943-2013
A minha vida e a Casa do Povo (1)
Quando no inicio da década de 60, com os meus 12 anos de idade, visitei na
companhia do meu protetor – lavrador da herdade dos Almargens, o edifício da
sede da Casa do Povo de Alvalade, então em construção, estava longe de pensar
que parte da minha vida futura estaria ligada a esta instituição. De facto, a
partir daí comecei a nutrir pela mesma, uma ligação que se viria a fomentar
mais intensa, quando em 1976, ingressei no quadro de pessoal da Casa do Povo de
Alvalade. Vivia-se nesses tempos forte movimentação resultante do regime
instaurado em 25 de Abril de 1974. As Casas do povo, foram criadas por Salazar
e após a revolução eram vistas com grande desconfiança e animosidade. Muitos
dos seus dirigentes haviam sido afastados, uns por ligação ao regime
ditatorial, outros acusados disso, embora em muitos dos casos tal não se
verificasse. Mas a onda saneadora não poupava ninguém, dirigentes e até
trabalhadores. Foi assim que muitas se viram sem funcionários e como tal houve
que admitir novos trabalhadores. Encontrava-me então a exercer atividade
profissional no Arsenal do Alfeite, em Almada, quando pessoa amiga me informou
da existência de concurso para novos funcionários da Casa do Povo. Inscrevi-me,
na então Junta Central das Casas do Povo e fui presente a concurso de admissão
ao lugar de escriturário. As provas foram efetuadas no próprio edifício da
instituição e, de entre vários concorrentes fiquei classificado em primeiro
lugar, tendo iniciado as atividades em Dezembro de 1976, com vinte e oito anos
de idade. Como atrás referi, ser funcionário da instituição, nesses tempos,
constituía uma aventura e uma grande incerteza. Mas, lá consegui singrar .
Nessa altura a vida da Casa do povo, resumia-se ao serviço de secretaria, no
âmbito de regime especial de previdência dos trabalhadores rurais. Atividades socioculturais
também. Com a minha juventude, rapidamente me embrenhei na vida associativa. Após
algum tempo, foi criado o Grupo de Acão Cultural, constituído por alguns
jovens Alvaladenses, que desenvolviam atividades culturais e recreativas.
Lembro-me que uma das primeiras iniciativas foi
a realização de um concerto musical, com a Banda da Força Aérea. Devido
à recente revolução dos cravos as forças armadas granjeavam o carinho e a
admiração das populações, pelo que este facto constituiu um enorme êxito.
Curiosamente a grandeza da banda obrigou a que o pequeno palco do salão de
festas fosse prolongado até metade da sala, para poder acomodar todos os
executantes. Refiro este facto, como uma das primeiras, senão a primeira atividade
cultural realizada após a minha admissão na instituição. O que não quer dizer
que a seguir ao 25 de Abril de 1974, Alvalade não tivesse assistido a outras
realizações de grande valor. Recordo ainda a primeira festa do trabalhador realizada
no então “quintal da Rosarinha” como lhe chamávamos e cujo primeiro
impulsionador, foi o saudoso Domingos de
Carvalho.
O Grupo de Acão Cultural, iniciou pois a sua atividade na Casa do Povo,
organizando um grupo de teatro , cujo primeiro trabalho foi a representação da
peça de Alfonso Sartre “A morte no bairro”.
Mais tarde, sob a influência do então pároco padre José Martins Salgueiro,
os jovens Alvaladenses começaram a granjear interesse pela história de Alvalade
e foi por iniciativa daquele padre que um grupo de jovens entre os quais me
incluía, se deslocaram a Lisboa, à Torre do Tombo, a fim de observarem o original do Foral de
Alvalade. E, pode afirmar-se que, graças ao clérigo que nos acompanhava, tivemos
nas nossas mãos o secular LIVRO dos
FORAIS NOVOS, que se encontrava
guardado na casa forte daquele arquivo histórico. Grandes momentos, hoje infelizmente
desvalorizados, mas que confirmam a existência em Alvalade ao longo dos últimos
anos de pessoas empenhadas no estudo e pesquisa da nossa realidade histórica.
E, posso afirmar que a todas estas atividades esteve sempre ligada a Casa do Povo
de Alvalade.
(continua)
domingo, 12 de fevereiro de 2012
A MINHA ENTRADA NO MUNDO DO TRABALHO - 2
Em certa altura passei a acompanhar na minha condição de
aprendiz, um operário chamado Moreira, que era natural de Montes Juntos –
Alandroal, mas que há anos vivia no Laranjeiro, aos navios da marinha de guerra.
Para quem não conhece
o Arsenal do Alfeite, são os estaleiros navais que dão apoio na manutenção dos
navios da nossa armada. O Moreira ia varias vezes ao navios ancorados, para
proceder a reparações, muitas vezes relacionadas com as bombas de agua.
Agradou-me e jamais esquecerei as “visitas” que ambos fazíamos a bordo do navio
– escola Sagres.
Mais tarde, fui transferido para uma outra secção onde
aperfeiçoei os meus conhecimentos, embora mantendo a categoria profissional de
operário. Tratava-se da Secção de Normalização e Classificação de Materiais. Aí
desenhavam-se peças que depois seriam fabricadas nas oficinas, estudavam-se as
NEP ( normas portuguesas). Era um trabalho mais aliciante, longe do ruído da
maquinaria e naturalmente mais higiénico. Lembro-me que a secção era chefiada
por um engenheiro cujo nome não recordo e por um funcionário administrativo
cujo nome era Costa. O Costa era um amigo e camarada, e através dele me iniciei
na vida político-partidária . Primeiramente no MDP/CDE e depois quando este
Movimento passou a partido politico, inscrevi-me no Partido Comunista
Português durante algum tempo. O Costa estava sempre disponível para transmitir-me os ensinamentos
de que necessitava. Estudava à noite em Lisboa, na Faculdade de Economia E,
ficou-me gravado o dia em que pela manhã no inicio da jornada diária de
trabalho, o Costa entrou na secção, depois de ter realizado as provas de exame na Faculdade, que lhe
concederam a licenciatura naquela área.
Na secção éramos cerca de dez funcionários e nessa manhã,
perfilados logo que o Costa entrou dissemos em uníssono:
- Bom dia senhor Doutor!
E o Costa respondeu de forma agressiva, nada satisfeito com o
título académico a que tinha direito:
- Senhor Doutor o c….
Era assim o grande companheiro e ao mesmo tempo bom camarada -
o Costa!
Foi ele quem politicamente me instruiu, quem projectou mais
longe os meus escassos conhecimentos da realidade que do mundo actual, onde uns
têm tudo e outros quase nada! A minha eterna gratidão ao grande amigo e
companheiro de ideologia, o Costa!
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
A MINHA ENTRADA NO MUNDO DO TRABALHO - 1
Quando terminei o curso industrial, ou mais concretamente o
curso de formação de electromecânico, no principio dos anos 60, na Escola
Industrial e Comercial de Beja, rumei para Almada, onde por intermédio de um
familiar que já partiu, ingressei no Arsenal do Alfeite, como aprendiz de
serralheiro mecânico.
Nunca concordei com a situação de “aprendiz”, dado que no curso
industrial, tal como nos demais cursos ministrados nas antigas Escolas
Técnicas, a aprendizagem era exemplar. Nas oficinas colocadas à disposição dos
“aprendizes” nada faltava para que se formassem bons profissionais. E, depois
de três anos de curso, custa um pouco ingressar no mundo do trabalho com a
profissão de “aprendiz” . E se pensarmos que esta categoria era distribuída por
aprendiz de 3ª, aprendiz de 2ª e aprendiz de 1ª, maior será a nossa repulsa.
Pois fui admitido como aprendiz de 3ª classe, com o
vencimento mensal de 802$00. Tinha na ocasião 17 anos de idade. Outra
particularidade que em muito ajudava os jovens aprendizes, é que, com um
horário das 8 horas às 15 horas, quando os demais operários iam até às 17
horas. A razão consistia no facto dos jovens estudarem reunindo assim
conhecimentos teóricos que aliados aos conhecimentos práticos faziam deles, na
generalidade bons profissionais.

Ingressei pois naquele estabelecimento de ensino, no 1º ano
da Secção Preparatória ao Instituto Indusdrial.Aí permaneci até a minha ida para o serviço militar
obrigatório. Entretanto porque os meus familiares decidiram adquirir casa própria, passei a residir,
primeiramente, junto ao monte do Cristo Rei e mais tarde em dois quartos
alugados, perto desse local.
No Arsenal, onde fui como frisei admitido como aprendiz de
serralheiro mecânico, na oficia de ferramentas, tive o primeiro contacto com o
mundo do trabalho um tanto ou quanto penoso para mim. Como serralheiro mecânico
passava todo o horário de trabalho, numa bancada, na frente de um torno, onde
se reparava de tudo o que fosse ferramentas de trabalho. A oficina não era
grande, mas dava trabalho a cerca de 30 operários, chefiados por dois
“mestres”, cijos nomes se a memória não me falha eram Campos e Manuel ? que
conhecíamos por “nini”. Eram boas pessoas, embora contactassem com os operários
apenas o necessário. De resto permaneciam num gabinete, de dentro do qual,
através de uma vidraça seguiam toda a vida da oficina.
Já não consigo recordar-me dos meus colegas de trabalho. Mas
lembro-me que na minha frente na bancada, um operário de idade avançada, se
entretinha a falar comigo, sobre os mais variados aspectos. Devido a isso,
muitas vezes tanto um como o outro eram chamados à razão pois com a conversa
esquecíamos o trabalho.
Na oficina, muitos dos trabalhadores viam em mim, o filho de
um qualquer agrário alentejano. Embora constantemente os informasse que
provinha de trabalhadores agrícolas, quase não acreditavam, pois eles sabiam
que as classes rurais tinham dificuldades em darem estudos aos filhos.
Atrevo-me até, a afirmar, que por vezes e a principio devem ter pensado que
teria ali sido colocado, para ouvir as suas conversas e comentários nada
favoráveis ao regime. Levou muito tempo até se convencerem de que tal não
correspondia à verdade. Tive e conheci ali grandes amigos. Provavelmente poucos
serão vivos.
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